Passo a passo

Ainda não contei para ninguém , mas a quem interessar possa, corri 8 km na semana passada. Estou bem perto dos 10 km desejados para as Pontes! Oh, my God! Será que esta escriba persistente que vos fala conseguirá esta proeza?

A minha memória genética faz com que eu creia no potencial dos meus pulmões e pernas como se não houvesse ontem, mas a verdade é que o destreino pesa neste retorno da guerreira. Minha capacidade cardiorrespiratória  e muscular em geral ainda não está 100% readaptada ao esforço pretendido. Tampouco o meu psicológico colabora. Obviamente, continua afetado pelo trauma prolongado.

O corpo , apesar de se viciar nas endorfinas, tende a sabotar a atividade física.  A experiência nestas horas conta muito. Eu conheço o processo e sei que o primeiro desafio a vencer é o da mente, sempre.

Estava correndo entre 5 e 6 km . Acrescentar qualquer km  a mais é dureza. Uma área do cérebro desperta “diante do perigo” e diz que você não pode. O corpo reage da pior maneira possível.  Na minha última batalha corredora x pista os pés incharam, esquentaram, pesaram…  Achei que o joelho apitaria novamente, que o fôlego faltaria… Uffffff

Até que deixei bem claro que quem manda neste corpo sou EU. Um ser superior, extracorpóreo que bota ordem na casa quando os ratos pensam que tomam conta. A alegria de vencer o desafio pretendido é muito maior que qualquer sufoco passageiro. A cada pisada sofrida um novo comando de “vai, você pode”.

Nada me impede de cumprir minha meta, exceto a dor DAQUILO que não quero falar o nome. Espero que não volte. Cada quilômetro que venço , agradeço a Deus por ter, finalmente, me permitido correr um pouco mais.

Mas  sei que o músculo está lá, suscetível …À espreita de um vacilo meu. Corro agora com esta sombra a me perseguir. Não me sinto muito segura. Ainda. Quem sabe o tempo não cura tudo de vez? Hoje à noite inauguro meus tênis novos.

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A pisada é esta.

Claro que eu não sabia qual era o meu tipo de pisada até me lesionar. Depois de chorar e me descabelar , fazer promessa e me submeter a todo tipo de tratamento durante 8 longos meses, finalmente tomei vergonha na cara.

Semana passada, fui à loja de corrida Fartlek, na Jaqueira, e fiz o bendito teste. Uma fisioterapeuta filmou a minha corrida em cima da esteira e depois tascou o veredicto: pisada pronada.

Estava lá a verdade, o pezinho pronador sobrecarregando minhas articulações de joelho e quadril. Que mau , pica pau.

Segundo informação da fisioterapeuta, o meu modelo Prophecy da Mizuno suporta todo tipo de pisada, mas o ideal seria comprar tênis específicos. Achei muito pertinente a opinião da moça e a prova estava lá às vistas de quem quisesse ver: meu pé toca o solo com o calcanhar levemente para dentro. Quem diria! Eu não diria.

Eu não tenho que dizer é nada, quem tem que dizer é um especialista. Mas meu perfil de corredor é o do autodidata metido. Que entende de tudo um pouco e no fim das contas não entende á nada. kkkkk Ok, mentira. Eu me acho a nutricionista, doutora, fisioterapeuta & personal trainner de mim mesma.

Quando alguém quer me dar uma mão eu agradeço. Mas que não seja uma mão boba, porque eu sou muito esperta, embora alguém possa não acreditar imediatamente no que vê. Muahuahuahua (risada malévola).

Saí da loja doidinha pra comprar um novo par de tênis, mas queria um Adidas  por indicação dos professores e de Pio, outro corredor autodidata que consegue ser mais especialista que eu , e, claro, corre muito mais. KKKKK

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De volta pro aconchego dos treinos

Se o que vale é a intenção, eu até tive vontade de correr. Mas o carnaval de Pernambuco é uma maratona para quem gosta de brincar. Não que eu seja a personificação da alegria, mas aproveitei muito o período momesco.

O que gosto mesmo é do lúdico da fantasia. De deixar que o “eu lírico” assuma as rédeas da imaginação e seja o que quiser.  Se pudesse, traria as cores do carnaval para o resto do ano. Sou muito P & B, mas a minha alma é colorida. Colorida e, por incrível que pareça, adepta da paz e do amor longe do barulho das festas. Prefiro.

Na terça-feira gorda eu já havia pedido as contas da folia. Larguei tudo e me entreguei a um merecido descanso recheado de ócio e literatura. Estou lendo meu primeiro livro no Ipad. O bicho fica aceso no escuro e até vira a pagininha. Que me chicoteiem os tradicionalistas, mas comprar livros num click é muito prático. Carregar a biblioteca para todo lugar, também é.

A tecnologia me fez mais leitora. Confesso que não tenho mais coragem de comprar livros reais. Ai! Vou às livrarias somente para folhear os livros que comprarei no formato digital. Embora nem tudo esteja disponível em ebook e o preço não seja amygo.

Hoje retomarei os treinos. Estou muito otimista e querendo correr atrás do prejuízo das calorias extras. Hoje senti a calça jeans subir apertada. Resultado dos petiscos, das massas e refrigerantes aos quais me entreguei sem dó. Estou feliz de estar de volta à minha rotina. Saravá!

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O piano

O bom senso manda que se comece  a comer uma papa pelas beiradas. Mas isto é para os fracos. Eu meto é a colher no meio, no lugar mais quente, de queimar a língua.

Sempre foi assim. Coisas fáceis demais me desinteressam. Eu gosto de ser desafiada, de correr atrás e fazer chover de baixo para cima. A verdade é que sou pretensiosa e não creio que seja uma má qualidade, se administrada para o bem. O desejo de superação me traz coisas boas.

Ontem, faltei a academia . Mas desta vez, por um motivo justificável. Chegou um brinquedinho novo na minha casa: um piano. Há quatro anos (ou mais) estas mãos pianistas não têm o prazer de tocar uma bela música pela falta do instrumento.

Minha pretensão, motivada pelos anos passados de glória (HAHAHA), logo me catapultou para o alto.

Quis Chopin. Apenas um Noturno dos mais simples. Só que não. Duas horas de estudo depois e apenas um trecho executado muito mal, cheguei a conclusão que há que se ter humildade e paciência para recomeçar.

Parece ser assim para tudo na vida. Um novo dia, uma novo recomeço e aos poucos a gente vai tentando chegar onde quer. Eu quero tocar Chopin com desenvoltura e quero voltar a correr sem dor e sem medo. Só isto.

Recomeçarei meus estudos de piano por uma partitura mais simples e continuarei correndo com cautela até meu corpo aceitar que não vou desistir. Sou brasileira, filha do dono do mundo. 🙂

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Fauna de academia

Às 7 horas da noite meu corpo jazia na cama, mais morto do que vivo. O que restava de consciência sabia que escorregar na empada, no pastel e no bolo de doce de leite tem  suas consequências. Mas estava tão boa a sensação de não cumprir um dever… De dormir aquela horinha como se não houvesse outro expediente a dar na academia…

Caí num sono gostoso, quando acenderam a luz na minha cara e uma vozinha do além me despertou: “Vai malhar não, gordinha simpática?”  Claro que ía, mas não precisava ser naquele exato momento. Talvez nem precisasse ser em momento algum se engatasse de vez no sono…

Mas fizeram a maldade de me cutucar em pleno gozo do descanso. E eu fui completar o roteiro do fim do dia. De consolo, sempre me resta a esteira…. E o seu campo de visão é ótimo. Enquanto meu rabo de cavalo balança pra lá e pra cá acompanhando meu trote de mocinha, consigo visualizar toda a fauna que circula pelo grande salão.

Há uma figura particularmente engraçada que sempre chega na hora da minha corrida. Um homúnculo de corpo de triângulo que usa camisetas arroxadas e cabelo de topete de pica pau. Ele anda com o peito estufado de músculo e vaidade, como um galo reprodutor. Tenho cá pra mim que não pega ninguém. Mulher, não.

Também continua me impressionando a ousadia estilística das meninas. Macacão de lycra sem calcinha pra valorizar o torneado da buzanfa. Não é para as fracas desfilar daquele jeito…  A concorrência, continuo dizendo, é muito desleal. Eu não posso com aquilo. Não sei que vantagem na vida eu tive ao nascer com vergonha na cara.

Vergonha de nada serve, enquanto uma bunda daquelas faria guerra em tempo de paz e paz em tempos de guerra. O problema de malhar é este… Você renovar diariamente a certeza que não tem perfil pra descer pro play.

Saudade da minha corrida onde as gazelas ululam e os shorts dançam nos corpinhos magricelos. Mas tenho progredido na malhação. Minhas pernas estão mais fortes e em breve vou tirar a prova dos 10km, se Deus quiser. 🙂

Claro que AINDA não refizeram meu treino.

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Terceiro expediente

Acordei às 7h da manhã com uma vontade – inacreditável – de malhar. Era o primeiro pensamento do dia e único projeto para a segunda-feira. Depois do expediente, correria na esteira e malharia as pernas de Barbie corredora.

A força de vontade talvez viesse dos bons resultados da semana passada. Mas não sei o que houve entre às 7 e às 19 horas, só sei que ao cair da noite, o desejo arrefeceu. Sumiu ou se converteu numa preguiça monstra ao chegar em casa.

Parecia um sonho distante o momento surreal que desejei ir à academia. Depois de um dia inteiro de labuta, o corpo malemolente só quer relaxar. Só que não. Busquei forças do além, mas manteria a minha promessa. Começaria a semana conforme planejado. Uma atleta nunca desiste.

Enquanto me trocava, vasculhava o meu cérebro em busca de motivações para começar o terceiro expediente. Uma malha de ginástica nova, um paquera, um papinho, se livrar da gordura e por fim, correr livre de assombrações.

Fui. Com uma tremenda má vontade, mas fui. Suspirando como uma condenada ouvindo sua sentença de morte: você precisa malhar. Encontrei o professor que não refez meu treino. Prometeu passar meu caso para outro, sem falta. Fiquei me sentindo como uma peteca jogada de lá para cá.

Será que a diplomacia, um dia, conseguirá alguma coisa neste mundo bandido? Parece que certas coisas só funcionam debaixo de chicotada. Que detestável.

Corri um pouco na esteira, malhei e cheguei em casa com a sensação do dever cumprido. Ponto para mim!

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Bulletproof

Não sei se seria precipitado dizer, mas já fiz 3 pequenas corridinhas de 6 km sem dor. 🙂 É claro que isto reacende as minhas esperanças enterradas no fundo do baú do meu desgosto. Depois de 8, 9 meses de luta árdua contra uma lesão, a gente enfraquece dos ânimos, mas não desiste. Nós trupica mas não cai.

 Será que voltarei a ser feliz? Será?

Alguma coisa estou fazendo certo… Não sei se a malhação, se o RPM, se a parada que dei na corrida… Se tudo junto…. Só sei que algo está começando a funcionar para mim.

Correr me faz um bem danado. Não há mal que perdure depois de um bom treino. Depois de alguns quilômetros, qualquer moral se eleva. A motivação inicial que alevanta meu corpo gordo de domingo da cama, é sempre estética. Os exageros de fim de semana me chamam pra pista… Mas ao chegar lá, a gente sabe que no íntimo, reina o vício acima de qualquer outra coisa.

O fato de deixar a hibernação e partir para o exercício, já aumenta  a autoestima. Encontrar seus amigos igualmente disciplinados ao longo da corrida também é um sinal que estou no caminho certo. Orgulho-me de ser saudável.

Mas o fantasma da dor ainda me assombra. Impossível me sentir segura depois de tanto tempo. Sinto-me amedrontada, como se esta felicidade pudesse me escapar. É como se eu estivesse prenha e só acreditasse que a alegria vingou após 3 meses. Só depois de um bom tempo eu vou sair cantando vitória.

Enquanto isto, vou dando meus primeiros passos e cantando “I´m bulletproof, nothing to lose…

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