A louca da bicicletinha

Quando saí com a minha bicicleta com cestinha da loja, não sabia que comprava um problema. Meu carro é grande, a bike é desmontável, mas meu cérebro é feminino. Odeio montagem e desmontagem de coisas. E parafusos. E molas. E peso.

Não há como transportá-la sem inconvenientes. Por isto a corrida continuará sendo o meu esporte favorito. Não preciso carregar nada além do meu próprio peso. Encaixe e desencaixe?  Só  de músculos.

Também odeio manuais, logo, não descobrirei para que servem 21 marchas se o meu carro só tem 5. Outra curiosidade sobre bicicletas: ninguém mais fala bicicleta , só bike. Se o falante quiser parecer jovem, é melhor entrar na onda. Eu entro com certa precaução, como quem entra na água fria só com um dedinho do pé. Como boa amante da última flor do Lácio inculta e bela, recuso-me a adotar o estrangeirismo, se bike não constar nos dicionários de português. Ok, talvez use a palavra por preguiça.

Descobri que um aspirante a ciclista não pode comprar uma bicicletinha qualquer. Vai-se à loja e recebe-se o tapa na cara do preço das mountain bikes. Ainda que o comprador só queira andar pelas ciclovias da cidade, é seduzido pela leveza, pela beleza e pelo STATUS das bikes profissionais. É como se eu precisasse de um carro para ir ao mercado e saísse montada numa 4×4 com tração nas quatro rodas para um rali Paris-Dakar.

Racionalizei na hora de desembolsar o ouro e comprei o que precisava com um temperinho a mais , porque ninguém é de ferro. Mas , sei lá, tenho a impressão que serei perseguida pelas mountain bikes. Que rirão de mim e atirarão tomates em direção à minha cestinha.

Sinto uma falta de respeito em potencial pela minha bicicleta. Lembro-me da minha infância, quando eu corria pelas ruas do bairro na minha Caloi Cecizinha. Era chique, estava na moda. Mas agora eu sinto como se tivesse comprado um carro popular enquanto todo mundo anda de importado. ehehehe CREDO. Segregação no ciclismo!

Se a Cristiane Torloni pode, eu também posso, oras. Também sou phyna.

Hoje não sei se correrei , se bicicletarei ou se assisto à novela das 7. Acho que a posição caracol da yoga me deixou meio descadeirada… hehehe

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Sobre Fabiana Amorim

Filha de uma mãe e mãe de um filho. Escrevinhadora rodrigueana que tenta ser uma boa pessoa quando tem vontade. Ou não.
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6 respostas para A louca da bicicletinha

  1. cynnara disse:

    hahahaah fabi, sabia q, cedo ou tarde (foi muiiito cedo, na minha opinião haha), tu ia concluir isso: “Mas , sei lá, tenho a impressão que serei perseguida pelas mountain bikes. Que rirão de mim e atirarão tomates em direção à minha cestinha.”

    hahahah ri muito lendo isso! pois é, parece q a nossa caloi ceci ficou mesmo no passado 😦 bjão!

  2. Jorge disse:

    Em breve verei um post onde vc usará a “bike” ou “camelo”(jovem escreve assim…kkk)para deslocamentos até os locais das provas de corridas.
    No caso dos arremessos de tomates na tua direção já deixe a cestinha da tua bike carregada de pedras ou lascas de paralelepípedo, chumbo trocado não dói…kkkk
    Recomendações e melhoras para o joelho.

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