Sábado à noite

Depois dos 30, acho que uma pessoa adquire certos direitos. O melhor deles, inclusive, é se dizer velho quando pede a ocasião.  Hoje, ninguém mais pode me obrigar a sair numa noite de sábado se eu não estiver a fim, porque tenho a desculpa irrefutável e perfeita: ah, estou velha.

Os velhos, ao longo dos anos aprimoram as suas manias. Ficar em casa é uma que venho desenvolvendo há anos e acho que agora atingi a perfeição. Ter um bolo de chocolate incrível na cozinha e uma temporada inteira de Big Bang Teory para assistir me fazem sorrir e permanecer debaixo do teto do lar doce lar.

A casa está um silêncio, não há ninguém. Poucos sons vêm da rua, esta parte de Boa Viagem parece repousar. O único som que ouço vem do teclado enquanto digito. Que paz. :)

Eu poderia chamar esta mania de ficar em casa de preguiça, mas este corpinho que se recusa  ir a um agito, está clamando por uma boa corrida de fim de semana. Faz 4 longos dias que não corro por conta de uma gripe e se eu achava que meu espírito corredor estava em crise, este desejo só me mostra que estava enganada.

Redondamente enganada. Uma vez corredor, sempre corredor. Saudade dos meus tênis. Aproveitei o repouso forçado para praticar o ritual do gelo. Ficaria muito feliz se meu joelho se comportasse bem no longo que farei amanhã.

Estou cansada da minha trilha sonora. Já ouvi muita coisa em dois anos de corrida. Ao contrário de certas pessoas que não equilibram seu pace com as músicas que ouvem, eu corro ritmada.

Eu nunca vou sair num tiro violento ouvindo minha baladinha preferida, logo, minha busca pela música perfeita é demorada. David Guetta continua sendo o principal nome das minhas playlists. Mas seria muito bom descobrir alguém mais neste mesmo estilo.

Preciso de um DJ e daquela fatia de bolo…. :)

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Desvios literários e diagnósticos

Talvez tenha me precipitado ao dizer que o ostracismo intelectual acabou. Na verdade, para que eu tenha envergadura moral para dizer isto , tenho que dar cabo dos 20% que restam da Montanha Mágica. Virou questão de honra.

Ao invés de me manter fiel a esta única e árida leitura, cedi à tentação de outros livros mais amenos, mas que não me envergonhariam perante o eterno.  Hoje, mantendo a promiscuidade literária que me é  peculiar, engatei o terceiro livro . Verdade seja dita, a mágica da montanha entalou no meu cérebro.

O meu vício pela corrida fez com que eu me desviasse um pouco do campo literário e dedicasse muitas horas à nutrição e à anatomia. Todo corredor espertinho é muito especialista em saúde. E se sente capaz de se autodiagnosticar com as piores mazelas encontradas pelo google.

Esta pontada insignificante , porém preocupante na lateral do meu joelho esquerdo (tudo do lado esquerdooo, afff) fez com que eu me diagnosticasse com uma provável síndrome da banda ílio tibial ou o famigerado “joelho de corredor”. Mas muito no estágio inicial, e , portanto, passível de cura com uma boa dose de otimismo e moderação de treino. Tomara que meu parecer médico esteja errado.

Em todo caso, já estou na base do gelo e reabri as portas da minha farmácia particular que divide a estante com os meus livros. Iria chutar o pau da barraca na academia, mas Pio disse que não parasse. E quando Pio fala, a gente escuta. Afinal é mais fácil um corredor confiar em outro do que em qualquer médico ou professor de educação física. he he he

Só não sei como vou diminuir o ritmo, porque já estou correndo como uma lesma. :P KKKK

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A desconfiança.

Aceitaria bem qualquer dor que pipocasse neste corpo velho de guerra se tivesse a certeza que não seria impedida de correr. Mas quem vai saber?

Não-corredores não entendem que a corrida é um vício, cujo impacto, pesado para o corpo , tem suas repercussões. Tudo de mim eu dou nas pistas e o que sobra, eu gasto na academia… E não sobra muito para que eu continue inteira.

Agora eu tenho que trabalhar com dois suspeitos para dores novas. E, óbvio, eu vou culpar aquele que eu amo menos. Ou no caso, não amo.

O meu primeiro ano de corrida foi lindo. Nada doía, tudo funcionava que era uma beleza. Este segundo ano está sendo bem desafiador e hipocondríaco. Qualquer incômodo, fisgada, pontada é o fim do mundo.

Na academia, já sabem que sou corredora e não quero sobrecarga para os meus joelhos. Mas será que entenderam bem? Eu vou confessar que até agora, não senti confiança em ninguém.

Queria um professor para chamar de meu, para me entregar sem medo. Alguém que me olhe nos olhos e me diga que aquele treino é o certo, com certeza baseada em anos de estudos de educação física.

Mas quem é esta pessoa? Até agora, ninguém. Este corpo é a minha máquina de correr. Eu não entrei nesta academia para hipertrofiar músculos. Eu só quero ficar fortinha! E não lascadinha.

O problema dos nerds é a falta de confiança no estudo alheio e muita autoconfiança nas suas próprias pesquisas. Quero muito confiar em alguém.

Esta semana uma professora me disse : “Você é neurótica com este joelho, né?”

Mas é claro. Quem tem joelho e corre, tem medo. E eu não estaria tão neurótica se não estivesse sentindo uma pontada do ladinho esquerdo que ninguém, além de mim, dá valor.

Não sei se estou hipocondríaca, supervalorizando estas aparições de dores, mas a verdade é que eu não estou nem a fim de novo rehab às portas da Meia Maratona.

E agora? Vou ou não fortalecer estes músculos? Garanto como alunos de yoga não estão passando por estas dúvidas. Mas eu escolhi a corrida e agora tenho que arcar com as consequências. :P

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Às moscas.

Este blog está às moscas, mas a corredora que vos fala ainda não aposentou os tênis. Retomo a pena e volto a escrevinhar sobre os causos e as coisas à minha volta. Uma vez cronista, sempre cronista… Ainda que em pensamento.

Acho que as chuvas de inverno lavaram a poeira do ostracismo intelectual que me calaram e esta escrevinhadora demi bouche ressurgirá das cinzas.

Começarei os treinos para a Meia Maratona Internacional do Rio. E sinto as mesmas ansiedades que senti da primeira vez. Será que conseguirei?  Ultrapassar os 10 km sempre é lindo. E poderoso. Faz um bem incrível para a autoestima de uma corredora.

Ando em busca do meu pace perdido pelo calçadão, mas o que importa é que eu não parei, embora tenha sido acometida por algo que nunca pensei que se passaria comigo… O tal do runner´s blues.

Semana passada eu levei um tremendo banho de chuva enquanto cumpria 10 km. Enquanto a chuva me encharcava as roupas
, consegui relembrar porque remo contra a maré dos maus pensamentos e obrigo este corpo a correr.

Eu gosto de ser atleta. Orgulho-me mais disto do que qualquer outra coisa. Até já me acostumei com a academia, ainda que a incredulidade com os benefícios das máquinas permeiem o meu espírito.

Hoje choveu de novo. Levei outro banho. Correr na chuva é tão bom. Enquanto todos se escondem debaixo dos quiosques, a gente corre desafiando a natureza.

Este banzo na minha corrida só reforça a minha certeza no poder do pensamento. Para ver o pace diminuir é preciso de alguma motivação. A meia do Rio é, sem dúvida, uma graannnde motivação. A corrida da Fogueira e a Fila Night Run também serão.

O importante é se manter em movimento.

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Segunda Preguiçosa

Depois de furar o longão de fim de semana e me regozijar na gordura trans, acordei com medo de encarar a balança. Me olhei no espelho e não reconheci a louca que pirou na batatinha e no bolo de brigadeiro. Cadê a minha guerreira, cadê? (Tapinhas nas bochechas ficando gorduchas).

Antes de sair de casa, decidi que estava de dieta. E que fome é coisa psicológica.

Preciso correr mais. Passei a segunda-feira me prometendo que faria meus 10 km à noite, antes que este corpo de glutona se entregasse ao jantar e às novelas. Faltou coragem de encarar o calçadão sozinha, neste estado de espírito. Quanto menos animada, mais um corredora precisa dos seus quilômetros. Eu sabia que se tivesse vencido o desafio de ter saído de casa,estaria feliz. Mas não venci.

E por não ter vencido, fiquei mais chateada… até porque a opção “não fazer nada” não existia . Segunda é dia de academia. E não ter ido correr nem malhar foi a última pá de terra que faltava para me enterrar no desânimo. A melhor coisa que se tem a fazer numa hora destas é dormir (ou tocar um tango argentino)… Antes que o cérebro compense a frustração através da boca. O caminho mais fácil é a porta da cozinha. Snif.

Ansiedade,desânimo, culpa. É claro que eu merecia refletir sobre isto comendo algo proibido, numa hora imprópria. Viver não é nada fácil, refletia enquanto mastigava uns cereais adoçados com mel.

O dia de ontem foi perdido, mas hoje farei 12 km. :)

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Efeito placebo?

Com a minha nova suplementação alimentar de proteínas e BCAA , o cansaço sumiu. Estou muito bem disposta fisicamente, do joelho para cima…. Já do joelho para baixo… Parece que minhas canelas de passarinho estão sofrendo com o tratamento de choque, mas tudo administrável. Normal.

Ontem, consegui correr os meus 10km pretendidos sem sofrer. Apesar da malhação estar ferrando com o meu pace, sinto-me mais confiante na minha pisada. E creio que este freio de mão puxado na corrida, seja só de início. Sensação de que estou fazendo a coisa certa, ainda que fazer o certo, quase sempre, pareça o mais difícil.

Na segunda-feira, numa tentativa de promover um encontro amistoso do meu eu atlético com o meu eu lírico, abafei os sons da academia com a 3a Sinfonia de Beethoven… E vi que isto era bom. Consegui reproduzir, dentro do espaço entre os fones de ouvido, um pouco do meu habitat natural… Uma zona de conforto no meio do caos da malhação.

Enquanto me empenhava em ressuscitar do lixo os meus tríceps e bíceps minguados e ainda tentava parecer bonita no espelho, criaturas com músculos superdesenvolvidos torneavam as suas vaidades levantando pesos com a desenvoltura de super-heróis de quadrinhos.

Continuo tremendo e fazendo caretas para levantar meus 20 kg. Mas esta semana alguém me disse uma coisa engraçada… Faz-se careta na academia para sorrir na praia. No meu caso, sorrir na pista.

Estou pensando (costumo manter o hábito de pensar às quartas) em pedir umas séries de abdominais para delinear o meu tanquinho. É claro que anos de maus hábitos alimentares e muitas escorregadas na lasanha à bolonhesa não vão operar milagres. Há certas coisas que a gente tem que aceitar. Barriga não é abdômen.

Não tenho nada programado para hoje à noite. Poderia desistir de transformar a quarta num dia de folga e tentar uns exercícios funcionais. Coragem, SENHOR!

 

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Morta-Viva

 

À beira de surtar com esta nova rotina de corrida e academia. Fora uns espasmos de animação, o que prevalece é um cansaço imenso…. Será que meu corpo mole & velho vai se adaptar a esta carga pesada de exercício?

Esta semana padeci pela falta de energia. Pifei. E não sei se por instinto de preservação da minha espécie ou se pela perturbação psicológica de me sentir presa, comi carboidratos feito uma desesperada. Engordei.

 

Entro numa academia para ficar fortinha e correr mais e melhor . Estou quebrada, gorda, correndo pouco e ruim. Ontem, inclusive, bati um novo recorde pessoal de lerdeza. O meu novo pace é de uma mula.

Começo a procurar instruções sobre suplementos alimentares. Algo que me dê mais energia e que recupere mais rápido as minhas fibras musculares.

 

Preciso ser paciente , já que paguei para ver. Será que conseguirei me adaptar?


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